Era das Hiperinflações
A queda dos sistemas lastreados e a era da perda global do poder de compra
No século XX, com a queda dos sistemas lastreados em ouro, governos em todo o mundo assumiram o controle dos sistemas monetários e expandiram consideravelmente suas esferas de influência. A ampliação das áreas de responsabilidade estatal impulsionou a expansão da base monetária, e a ausência das limitações associadas ao lastro em prata e ouro permitiu aos governos a impressão desenfreada de dinheiro.
Durante os séculos passados, quando as moedas eram lastreadas em metais preciosos como o ouro, a hiperinflação era virtualmente impossível, já que a emissão de moedas estava vinculada à quantidade de metais que um governo possuía em reserva.
Com o abandono definitivo do lastro em 1971, o mundo mergulhou em uma era de inflação estrutural global irreversível. Ainda que a inflação já tivesse ocorrido no passado — especialmente após grandes expedições que aumentaram a disponibilidade de metais preciosos no mundo —, as hiperinflações historicamente só se tornaram viáveis quando deixaram de existir restrições ou controles sobre a emissão de moeda, permitindo aos governos criar quantidades ilimitadas de papel-moeda fiduciário.
Perda do Poder de Compra
Desde a década de 1930, o dólar americano perdeu 99% do seu valor em relação ao ouro. Outras "moedas de reserva", como a libra esterlina e o iene japonês, registraram resultados ainda piores. Em 1932, o preço do ouro era de US$ 20,67 por onça-troy. Em 2024, o ouro ultrapassou a marca dos US$ 2.500.

Hoje, existem cerca de 160 moedas fiduciárias em curso no planeta, e praticamente todas perderam valor em relação ao dólar. Algumas moedas, como o Bolívar (VEF), a Libra Sudanesa (SDG), a Libra Síria (SYP), a Lira Turca (TRY) e até mesmo o Peso Argentino (ARS), perderam mais de 95% de seu poder de compra em apenas uma década.

O Cenário Brasileiro
Antes do Plano Real ser lançado, em 1º de julho de 1994, a inflação acumulada de 12 meses no Brasil chegou ao patamar astronômico de 4.922%. Mesmo com o sucesso inicial do Plano Real para estancar a hiperinflação, o poder de compra continuou caminhando ladeira abaixo: entre 2013 e 2023, o Real perdeu 59% do seu valor frente ao dólar. Apenas no decorrer de 2024, a moeda brasileira sofreu uma desvalorização adicional superior a 20% em relação à divisa americana.
💡 A lição essencial é: não se trata de uma recessão temporária. O dólar e o real eventualmente se juntarão ao marco alemão e às mais de 590 moedas fiduciárias que já morreram!
A plataforma Bitrawr lista 611 moedas fiduciárias que já deixaram de existir, detalhando o tempo de sua existência e o motivo de seu colapso. Cerca de 25% dessas moedas morreram devido à hiperinflação, e a grande maioria delas não sobreviveu a mais de 100 anos de história.

Pode ser difícil de acreditar hoje, mas durante o século XIX, a norma de mercado era a queda gradual dos preços de produtos e serviços graças ao aumento de produtividade. A maioria das mercadorias em 1900 era mais barata do que em 1800. Mas, enquanto o século XIX ficou conhecido como a Era do Aumento do Acesso, hoje vivemos a Era da Perda do Poder de Compra, que resulta na criação de uma geração de poupadores empobrecidos.
Em resumo: o dinheiro fiduciário emitido pelo Estado e sem qualquer tipo de lastro provou dezenas de vezes ao longo da história que é completamente incapaz de desempenhar a sua função elementar de reserva de valor.


